Você é um PAI PARTICIPATIVO?
- Ana Rafaela Bispo da Costa
- 19 de jul. de 2017
- 4 min de leitura
Quando criança gostava de ouvir meu pai contar as histórias de sua família.
Ele é do nordeste, vem de um lar com 12 filhos, isso mesmo, 12 crianças, 14 pessoas numa casa contando o pai e a mãe. E entre esses 12 filhos do mais velho para o mais novo lá se vão 20 anos.
20 anos é uma boa diferença de idade, é uma vida. Tanto que o irmão mais velho acabava sendo pai ou mãe dos mais novos e os mais novos sendo meio irmãos dos sobrinhos mais velhos.
Confuso não é?
E uma das minhas maiores curiosidades era de como os pais faziam para dar a atenção devida a todos os filhos, como será que supriam suas necessidades e como conseguiram de forma tão brilhante ensinar valores?
A resposta que imagino e que as histórias comprovaram, é que não fizeram isso sozinhos. Tinham uma grande equipe de irmãos mais velhos, tios e tias, primos e primas e mães de leite que auxiliavam nos cuidados e educação.
Diferente dos tempos atuais em que muitas vezes um casal tem um filho e não tem nenhum parente próximo e, dar conta do cuidado desse filho é uma tarefa difícil.
Os tempos mudaram e hoje há novas constituições familiares e, portanto, novos papéis de pai e de mãe.
O papel da mãe é, com certeza, mais enfatizado que o do pai, o que comprova isso? Existem três vezes mais estudos sobre esse tema se comparado ao papel dos pais.
Só que isso não significa que os pais são menos importantes, só reflete que em nossa cultura o foco ainda está nas mães, tanto que cada dia mais estudos comprovam os efeitos positivos da convivência com o pai e os negativos da falta dela.
Os maiores achados dessa convivência foram que crianças que tem pais participativos desenvolvem mais segurança e auto-estima e as meninas tem maior facilidade de inserção no mercado de trabalho.
Só que não é fácil ser um pai participativo quando a cultura ainda foca a mãe como maior e principal responsável pelo lar e pelos filhos.
Historicamente o homem era o provedor e a mulher cuidava da prole. Porém, como mencionei acima na história do meu pai, as famílias tinham outra configuração e, portanto, a mãe não era a única a cuidar dos filhos, ela tinha auxílio.
Pode ser que esse auxílio não vinha diretamente do pai, mas outro parente fazia isso.
Hoje com a estrutura familiar mudada, a mãe continua precisando dividir os cuidados com o pai, já não tem 12 filhos como antigamente, porém a mulher hoje trabalha e também é provedora, para isso necessita estudar e se aperfeiçoar. Sem contar os cuidados consigo mesma, com sua saúde e alimentação.
E que hora consegue fazer tudo isso? Como conciliar tantas tarefas sem o auxílio do pai? Fica quase impossível. E a criança mais do que tudo precisa da figura paterna e masculina para seu bom desenvolvimento.
Acontece que a questão cultural parece ser mais forte que a vontade dos pais em participar. Desde pequenos são ensinados a trabalhar fora e poucos são incentivados a ajudar nos afazeres domésticos.
Por outro lado, presencio muitas mães que se queixam da falta de apoio dos pais.
E isso me deixou intrigada, pois se por um lado os estudos apontam que as mães não abrem espaço para a participação dos pais, por outro lado posso ver pais participando ou ansiosos para isso e mães querendo maior participação?
Você ficou confuso?
Eu também. Calma. Vamos ver o que pode estar acontecendo.

Estamos numa transição de papéis e o que era bem definido como papel do homem e da mulher já não está tão bem definido assim.
Os homens continuam trabalhando fora e começaram a participar mais da rotina dos filhos e dos cuidados com o lar, mas as pesquisas apontam que ainda não são totalmente responsáveis por isso, deixando as decisões e iniciativas a cargo da mulher.
Ou seja, aquela velha definição de papel de homem e mulher ainda permeia as relações e a construção familiar.
Para ilustrar essa participação vamos imaginar uma situação na sua empresa. Você é líder e tem dois funcionários. Um deles sempre toma a iniciativa e inicia as tarefas sem que você precise mandar. Sabe exatamente suas responsabilidades e as cumpre. Solicitando seu auxílio sempre que há alguma dificuldade.
O outro funcionário já não tem tanta iniciativa. Cumpre as tarefas que você ordena. E se você não deixa claro tudo o que ele precisa fazer ele não faz. Você tem a sensação que ele não compreende quais são as responsabilidades dele e, por isso, só as cumpre se você estiver presente ou mandar.
Qual dos dois funcionários você definiria como participativo?
Acredito que respondeu que é o primeiro.
Então chegamos ao dilema, se ser participativo é ter iniciativa, porque muitos pais esperam as mães solicitarem que façam o dever, ou que vão as reuniões, ou que acompanhem os filhos ao médico? Não seria óbvio? Não seria responsabilidade dos pais tanto quanto das mães?
Entendem onde quero chegar?
Os dois tem exatamente a mesma capacidade, tanto de trabalhar fora, como de cuidar da casa e dos filhos, basta que desenvolvam. E para a criança é extremamente importante para o desenvolvimento o contato com o pai.
Vejo que já avançamos muito, e que temos muitos pais realmente muito participativos, posso perceber isso no meu dia a dia. Entretanto, ainda temos muito a evoluir e acredito que a superação dos estereótipos criados pela sociedade seja o início dessa caminhada.
E te faço uma pergunta: Quem ganha e quem perde com essa disputa? Sem sombra de dúvidas, T.O.D.O.S! Seu filho ou filha. Você pai, você mãe.
Porque conviver é doar seu tempo ao outro, e esse tempo nunca mais volta, depois que ele é gasto com outra atividade não se recupera mais. Se eu dou 15 minutos do meu tempo para alguém automaticamente recebo de volta, eu doei aquele tempo, e aqueles minutos nunca mais voltarão, nunca será o mesmo tempo, a mesma fase.
Você tem todo seu tempo daqui para frente, então que tal escolher a melhor maneira de gastá-lo?